[BN] - Apanhador de Memórias

2.10.14

Quando você leva um livro numa viagem”, dissera Mo quando ela pôs o primeiro no baú, “acontece uma coisa estranha: o livro começa a colecionar lembranças. Depois basta abri-lo, e você já está de novo no lugar onde o leu. Tudo volta, já nas primeiras palavras: as imagens, os cheiros, o sorvete que você tomou enquanto lia... Acredite, os livros são como papel pega-moscas. Não existe nada melhor para grudar lembranças do que páginas impressas.”
 - Cornelia Funke - Coração de Tinta
 
Uma das coisas que mais amo fazer é colecionar lembranças e memórias. Tenho uma agenda que comprei em uma viagem que mais parece com um caderno, já que não tem data, que uso para esse fim. Em dois anos, colecionei coisas simples que me fazem lembrar de eventos e acontecimentos: Um ticket de cinema ou teatro, uma embalagem de um chocolate, a nota fiscal de uma compra, bilhetes de amigos, tenho até uma folha de uma árvore de um acampamento.
Quando abro minha agenda, é como se eu tivesse entrando em um mundo só meu, onde me deparo com minhas lembranças ao vivo. Sinto o cheiro, o som, o gosto, lembro da piada contada por alguém momentos antes da foto ser tirada e lembro de tudo o que aconteceu naquele dia.
Já mencionei aqui que minha vida de leitora começou – infelizmente -  muito tarde na minha vida. Um dos primeiros livros que eu li foi Coração de Tinta de Cornelia Funke, que se tornou meu livro favorito. Quando li pela primeira vez esse trecho, eu não entendi muito o que Mortimer estava contando para a Meggie. Eu apenas achei fantástico e fiquei imaginando como um livro pode fazer isso tudo.
No decorrer do tempo, comecei a perceber a verdade nisso. Posso associar as fases da minha vida com o livro que estava lendo naquele momento. Quando abro o livro em alguma página, as memórias de a primeira vez que eu li vem a minha mente. Lembro-me de onde eu estava, como eu estava e o que eu estava sentindo.
Por isso, acredito que livros são ótimos companheiros de viagem. Além de te fazerem companhia, ajudar a passar o tempo e, simplesmente, te proporcionar o prazer de ler, muitas vezes se mostram mais eficiente que uma câmera fotográfica, guardando as memórias e te dando a certeza de que a bateria não vai acabar e o arquivo não poderá ser perdido.

Agora aprendi a lição. Mesmo que não tenha tempo e que não caiba na bolsa, sempre levo um livro comigo. Nunca se sabe quando vai ser a próxima aventura. Só sei que, independente do que seja, estarei preparada para armazená-la nas páginas impressas do livro, meu apanhador de memórias.



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