[R] - O Baronato de Shoah: A Canção do Silêncio , de José Roberto Vieira

19.4.16

Quando eu vi o título desse livro e capa, pensei: “este livro deve ser muito bom”. Para quem não conhece a palavra “baronato”, ela significa uma porção de terra que é governada por um barão (numa definição livre minha), assim como “reinado” é de “rei”, ou “principado” é de “príncipe”, o “baronato” é de “barão”. Explicado isso, justifico então o porquê de ter julgado esse livro da maneira que julguei, literalmente, pela capa. Então, em um dia ensolarado de verão, eu decidi iniciar a leitura.
O conceito do livro gira em torno de um universo Steampunk, onde há seres “mágicos”, ou seja, com poderes que são chamados de Bnei Shoah, e onde as máquinas são avançadas, porém movidas a vapor. Conhecemos, então, o mundo em que o livro acontece no Quinto Império, um dos “países” de Nordara. E, por fim, seus moradores, cujo mais importante é Sehn. Um menino filho de dois lendários heróis, ele recebe muita pressão para entrar para a elite do exército do Quinto Império, em que apenas os seres “mágicos” entram, a Kabalah. Contudo, apesar dos pais, ele não tem poderes.
Neste interim, conhecemos também Edgar, um “Amaldiçoado”. Este termo indica pessoas que possuem partes de dragões como parte de seu corpo; e, Edgar possui asas de dragão (e, sinceramente, se eu tivesse asas de dragões, eu seria tudo, menos amaldiçoado). Juntos, os dois vão para a academia do exército para treinar.
A partir daqui, haverá spoilers, então, se não quiserem perder a emoção, pule os parágrafos a seguir e vá direto para a sinopse oficial da editora no fim do texto.
Entre o fim e um capítulo, e o começo de outro, há um gap de cinco anos. Nada sobre esse gap é dito durante o resto do livro, e nele precisamos aceitar, sim, ACEITAR, que Sehn e Edgar tornaram-se melhores amigos e que eles conheceram alguns companheiros. No dia de formatura dos dois, eles são selecionados para entrar para um dos grupos de divisão da elite batizado de “Canção do Silêncio” – que é uma espécie de guilda que viaja em um barco voador a vapor (aqui vem a parte steampunk do livro) – assim como outras pessoas que, então, temos que aceitar que são amigos e importantes para Sehn, mesmo que eles nunca tenham aparecido antes.
Por fim quando vemos alguns desses personagens morrerem, há muita emoção por parte do personagem, mas nós, como leitores não sentimos nada, já que aquele personagem acabou de aparecer e nós mal o conhecemos. No entanto, o mais decepcionante no livro é quando Edgar (um spoiler gigantesco aqui!!! Você foi avisado, não continue lendo se não quiser que estraguemos sua leitura) se torna o vilão. Apesar de Sehn ter ficado muito abalado com isso, não senti nada; eu não conhecia Edgar, não tinha criado afeto pelo personagem. Ele se tornar vilão, além de ser um pouco previsível, não teve abalo.
 A Canção do Silêncio é divertido de ler? Sim. Pode competir com livros como Eragon? (Estou falando de estilo, e não de número de leitores e vendas) Não. Muita coisa acontece em pouco tempo, e às vezes, acontecem fora dos olhos do leitor, que acaba boiando na história. Imagine se resumissem os cinco livros de Percy Jackson e os Olimpianos em apenas um, tirando todos os detalhes, e fazendo todas as coisas que mudam os personagens fora das páginas do livro; pois é, foi assim que me senti.
Se A Canção do Silêncio tivesse mais páginas ou mais um livro para entrar em detalhes dos personagens, com certeza seria uma verdadeira obra prima.


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