[BN] - Preconceito literário II : Gosto não se discute?

22.9.16

        No primeiro texto sobre preconceito literário, foi posto a discussão a ideia de que julgar um livro antes de lê-lo pode ser saudável ao ponto de aumentar nosso interesse por ele ou diminuir esse interesse, mas, quando esse preconceito torna-se discriminação com um gênero/ autor/ leitor, temos um problema.   


Discriminar um livro simplesmente pelo seu gênero ou autor fecha nossas mentes para novas experiências e nos isola de pessoas que podem acrescentar muito em nossos dias como leitores. Nunca se sabe o que uma nova leitura nos reserva, mesmo que seja de um livro completamente alheio ao nosso gosto (sou testemunha viva disso, tamo junto Sidney Sheldon).


 
Acontece que independente do que sentimos ao ler um livro, vejo uma grande defasagem quando o assunto é ser crítico ao ler. A falta do olhar crítico nos limita a gostar de qualquer coisa e aceitar tudo o que vier, isso reflete não somente no nosso mercado de livros (que fica cada vez mais "pobre" em diversidade) mas também em outros âmbitos sociais.  
  
 "Ah, mas eu não gosto de ler pra ser crítico, eu gosto de ler pra me distrair e fugir da realidade"  
  
Okay, esse é um direito seu. Podemos muito bem gostar de um livro pelo seu enredo, mas além disso, há uma série de coisas que deveriam ser analisadas na composição de um livro, e são essas coisas que tornam um livro bom ou ruim. Independente de gênero, a construção da narrativa, a fluidez do texto, a dinâmica com o leitor, a caracterização das personagens, descrição de cenários, objetividade, finalização da história, tudo isso conta na hora de dizer se o livro é bom de verdade ou não. A falta desse olhar crítico nos leitores gera pessoas sem embasamento pra defender a obra, simplesmente o leitor defenderá o livro pelo seu peso sentimental, e isso não torna uma obra imune de criticas com a frase "gosto não se discute". Ou seja, não se irrite com a críticas dos outros se você não gosta de ser crítico.  
  
A falta de crítica faz com que cada geração seja pouco observadora ao que acontece no cotidiano, estamos cada vez menos preocupados com nossa realidade, cada vez mais de olhos fechados em relação ao que ou quem nos afeta e isso faz de nós pessoas manipuláveis, sem voz e sem conhecimento. Talvez essa seja a palavra perfeita: CONHECIMENTO. Nossa falta de senso crítico limita nosso CONHECIMENTO.  
  
Vejo que o quadro de leitores brasileiro tem aumentado de uns tempos pra cá.  

 

Mas qual a significância disso? A leitura deveria ser uma ferramenta para tornar pessoas mais conscientes, mas se não encontramos isso nos leitores atuais, não temos muitas conclusões positivas com o aumento de leitores, senão a economia gerada com esse comercio. E é um pena ver que algo que poderia ser tão útil como a leitura está sendo reduzida apenas a mais um eixo de comércio.    

Afinal de contas, gosto não se discute porquê? Será que a discussão sobre livros não nos tornaria menos preconceituosos sobre determinado tipo de livro? Porque temos tanto medo de por a prova nossos gostos?  

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