[R] - Drácula: O homem da meia-noite, de Bram Stoker, e a credibilidade dos clássicos

6.9.16

Um livro é clássico porque é bom, ou é bom porque é clássico?  

Um livro é clássico porque é bom, ou é bom porque é clássico? 
Sempre tive boas indicações quando se travava de Drácula. Seja o livro em si ou suas adaptações, cresci  ouvindo que essa história era ótima e que é uma referencia de literária. Depois de muito tempo pude tirar minhas próprias conclusões sobre o livro, e realmente é a uma boa história, mas não é tudo.



Escrito em 1897, Drácula, de Bram Stoker, possui um peso histórico muito digno, e nisso o livro realmente se destaca. Não somente o clima e ambientação mas traz toda a misticidade do tema vampiresco da época e seus dogmas, como as presenças femininas e seus destaques. Tem escrita epistolar (historia contada através de cartas/diário) e traz ao leitor bom contexto histórico. Quanto a enredo, a historia realmente é bem construída, isso explica o porquê de tantas adaptações e histórias inspiradas a partir dessa obra. Mas muito embora a história seja ótima, alguns pontos tornariam esse livro não tão fantástico como é visto hoje caso fosse escrito nos tempos atuais. 

Talvez por ser curto, alguns pontos ficaram não muito bem finalizados, fazendo com que o texto apresente pontas soltas no decorrer da história. Além disso, alguns parágrafos possuem uma entrada muito brusca, isso dificulta a integração do leitor ao texto. Talvez porque cada carta ou diário corresponde a um personagem diferente, e cada percepção diferente joga o leitor de um lado pro outro na história. Isso pode ser legal mas também pode causar confusão. Ainda, Drácula não se mostra um personagem forte como parece,  um pouco mais de expressões lhe cairia bem.

  
O livro começa parecendo um bom terror psicológico, quando Jonathan Harker viaja a negócios até a Transilvânia e se hospeda no castelo de seu cliente, Drácula, que pretende comprar uma propriedade na Inglaterra. Ao chegar no castelo, alguns fato perturbam Jonathan, como o isolamento do lugar, a ausência de outras pessoas na casa, alguns hábitos de seu hospedeiro, etc. Aos poucos, não se sabe se tudo é pura impressão de Jonathan ou Drácula é mesmo um ser mítico e maligno. Particularmente, amo esse tipo de narrativa. Porém, um pouco depois da metade, o obra já começa a trazer seu vilão como um ser metamorfo, isso descontrói a psicologia inicial da narrativa, o que ao meu ver, é uma pena. 

Ao fim da leitura, fico com o pensamento do que será considerado clássico daqui um tempo. Quais obras atuais serão vistas como clássicas e porquê? Drácula foi uma das obras pioneiras com a sua proposta, e seu enredo com certeza o tornou um livro referencia, mas hoje em dia, onde dificilmente aparece alguma história que fujam do comum, quais serão os critérios usados para tornar um livro clássico?

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