[EN] - Caroline Defanti, autora de Irmandade de Copra

20.10.16

UDF – Como você decidiu se tornar escritora?
CD – Na verdade, tudo começou a partir de uma brincadeira que eu fiz com um grande e muito querido amigo que tive na infância. Se eu não me engano, eu tinha 9 anos e, em meio às nossas brincadeiras e incapacidade de ficarmos sem fazer nada, decidimos brincar de escrever histórias. Cada um escrevia um parágrafo. E, bom, eu gostei tanto da brincadeira que não consegui mais parar. Rsrs Guardei o livro que escrevemos juntos e, anos mais tarde, eu o desenvolvi. Tenho-o guardado até hoje. Esse eu acho que vou ficar só para mim. Rsrs


UDF – Irmandade de Copra é uma saga de fantasia, correto? O que te levou a escrever esse estilo?
CD – Acho que Irmandade de Copra está mais para sci-fi, mas ainda faz parte da Literatura Fantástica, sim.
Eu não sei bem porque eu me apeguei tanto a esse gênero - seja na escrita, como no estudo em si. Eu mesma já me perguntei isso algumas vezes e já tentei escrever obras que não possuíssem nenhum elemento fantástico, mas, sem que percebesse, eu acabava colocando alguma coisa do tipo. Rsrs Eu não sei. Talvez a realidade me decepcione um pouco.

UDF – Como é ser escritor no Brasil?
CD – Bom, não posso dizer que é lá a melhor das experiências. O mercado editorial é bem fechado, principalmente para os autores nacionais iniciantes. Ironicamente, parece que muitas editoras dão preferência a obras estrangeiras - uma pena, porque o Brasil está cheio de excelentes autores e histórias que mereciam ser mais conhecidas.
Mas, apesar disso, eu estaria mentindo se dissesse que não tenho certo orgulho da minha língua. Eu adoro a língua portuguesa falada no Brasil, eu a acha maravilhosamente complicada e francamente linda. Rsrsrs

UDF – O que você acha da entrada da literatura jovem estrangeira no Brasil? Como é ter sua literatura convivendo com esses livros?
CD – É sempre uma concorrência, principalmente no que concerne conquistar um espaço no mercado editorial. Mas também não posso dizer que não aproveito isso à minha maneira - afinal, antes de ser escritora, eu sou leitora e gosto de ler bons livros, sejam eles nacionais ou estrangeiros.

UDF – De onde você tira inspiração para escrever?
CD – De qualquer coisa, as vezes, sem nem querer. Mais de uma vez, eu já tive uma ideia para escrever um livro ou um conto a partir de outro livro que eu já estava escrevendo. Rsrsrs Mas, normalmente, o que mais ajuda a escrever e me dá vontade de fazer isso é ouvir música, enquanto faço uma caminhada. Ver filmes também me inspira muito, principalmente por causa da trilha sonora - acho que eu sou muito suscetível aos sons. Rsrs

UDF – Que dica você daria para os novos escritores que acompanham o Um Dia Frio?
CD – Cara, não desista nunca! Se eu não desisti, então, você também não deve.
Se você escrever, escreve e que se dane o resto do mundo.
Mas, a partir do momento em que você decidir se tornar um escritor, aconselho a sempre, sempre mesmo, se lembrar de uma coisa: você terá leitores. Então, escreva para eles - sim, escreva para si mesmo também, mas lembre-se de escrever para eles.
O escritor não existe sem o leitor - essa é a filosofia que eu sigo e na qual eu acredito. Por isso, eu sempre dedico os meus livros para o leitor. Porque se não for por eles, por que eu escreveria?


UDF – O que você está lendo atualmente e que livro indica para os leitores do blog?
CD – No momento, eu estou lendo a antologia Alerta de Risco, de Neil Gaiman - e estou achando excelente, como todos os livros que já li desse mestre da Literatura Fantástica.
Como recomendação - é impossível citar apenas um, como vocês, amantes de livros, também devem saber - eu vou citar alguns dos meus favoritos:
A série Os Karas, de Pedro Bandeira (excelente para qualquer idade).
A trilogia Red Rising, do Pierce Brown (esse eu já acho que os leitores mais experientes de ficção científica vão curtir mais)
Alquimia da Pedra, de Ekaterina Sedia (eu AMO esse livro e recomendo a todo e qualquer leitor, principalmente os que gostam de steampunk. Esse livro me inspirou muito para escrever o meu último trabalho, Alma Mecânica)
Qualquer um do Isaac Asimov (esse é ficção científica mesmo!)
A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr (uma excelente fantasia nacional, que indico a todos)
Limbo, de Thiago D`Evecque (o Thiago me conquistou com a história bem feita e a desenvoltura que ele tem com a escrita. Também indico a todos)

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