[EN] - Entrevista com Mauricio R. B. Campos

5.11.16

UDF – Como você decidiu se tornar escritor?
MRBC – Sou um amante das letras. Desde muito cedo vivo muitas vidas através dos livros, e escrevo já há bastante tempo, tendo começado a publicar com mais intensidade recentemente.
UDF – Demontale reúne contos de fantasia. O que te levou a escrever esse estilo? Já escreveu outro estilo? Se sim, qual? Poderia falar um pouco mais de seus outros trabalhos?
MRBC – Eu passeio por vários estilos literários em meus contos, já escrevi ficção científica (Primus AD), literatura policial (Post Mortem, Contos Insólitos, Os Bastidores do Crime, Sombras e Desejos),  fantasia (Sonhos Lúcidos) e terror (O Rei Amarelo em Quadrinhos, Eu me ofereço!, King Edgar Hotel, @medo.com, Demontale). Na categoria conto fui o ganhador do V Concurso de Contos Livrarias Curitiba [2014], como poeta recebi menção honrosa da Associação de Escritores de Bragança Paulista, durante o III Prêmio Cidade Poesia (2014), e esse ano O Rei Amarelo em Quadrinhos foi eleito melhor publicação mix de 2015, levando o Troféu HQ Mix, o oscar dos quadrinhos brasileiros.
Acredito que o que me levou a escrever neste estilo foi a grande popularidade do gênero nos últimos anos, graças ao efeito Harry Potter. Além do mais, é legal, imaginativo e um gênero que possibilita uma riqueza de abordagens inigualável.
UDF – Como é ser escritor de fantasia no Brasil?
MRBC – Ser escritor no Brasil é mais ou menos como ser jogador de futebol. Há alguns que ficaram famosos, mas 99% jogam na várzea e ganham salário mínimo, quando ganham. Para cada Paulo Coelho e André Vianco há milhões de Zé Ninguéns, totalmente desconhecidos. Grupo no qual me enquadro agora. Eu já ganhei alguns prêmios literários, que me orgulho muito, mas isso não faz diferença nenhuma em relação à conhecimento do público, serve mais como um reforço de sua atividade, você olha para eles e pensa: acho que estou fazendo isso certo, se eu fosse americano minha vida não seria assim... Acho que roubei uma frase de uma música do Ed Motta, aqui. Um jornal gringo escreveu um artigo com a manchete: Ser escritor no Brasil é a mais patética das profissões. É mais ou menos por aí, mas espero que esse cenário mude com o tempo.
UDF – O que você acha da entrada da literatura jovem estrangeira no Brasil? Como é ter sua literatura convivendo com esses livros?
MRBC – Faz parte do mercado e não vai mudar. Sou contra reserva de mercado, espaço obrigatório para autor nacional em vitrines, esse tipo de coisa. O autor precisa criar algo que as pessoas queiram ler, é o único meio de ganhar dos gringos. Participei da antologia O Rei Amarelo em Quadrinhos da Draco, e nesse trabalho vi o que é estar em uma obra que as pessoas querem ler. Foi um sucesso com tiragem de mil exemplares esgotada em poucos meses, resenhas elogiosas e gente fazendo propaganda boca-a-boca por quê gostaram do projeto. A Draco é uma editora pequena, e tirou espaço de grandes casas editoriais com criatividade, capricho, profissionalismo e muito trabalho, o caminho para o autor independente ou iniciante é esse. Não tem mágica.
UDF – De onde você tira inspiração para escrever?
MRBC – Eu busco mesclar coisas que não tem muito a ver para tentar criar algo original, e tento me guiar pela intuição.
UDF – Que dica você daria para os novos escritores que acompanham o Um Dia Frio?
MRBC – Eu não me sinto muito à vontade para dar conselhos, mas acho que participar de concursos literários, é a melhor oficina de criação que você pode ter. E agora o conselho de amigo: o mundo editorial de literatura fantástica brazuca enche um Mac Donalds, então, cuidado com o que fala.
UDF – O que você está lendo atualmente e que livro indica para os leitores do blog?
MRBC – Estou lendo “A Busca Onírica por Kadath” de Lovecraft. Eu indico para os leitores do blog Mosaicos Urbanos, meu livro, você o encontra na Amazon e no Clube de Autores. Se você me der a honra de ler meu livro, eu agradeço. E para não dizer que só estou interessado em vender meu peixe, deixo aqui uma lista de livros excelentes de literatura fantástica de autores brasileiros:
Campo Total – Carlos Orsi
O Rei Amarelo em Quadrinhos – Diversos Autores
O Imortal – Machado de Assis (grátis)
A Desintegração da Morte – Orígenes Lessa
Depois que Eles Partiram – Gilson Luis da Cunha
Imaginários vol.1 – Vários Autores

You Might Also Like

0 comments

Página Um Beijo