[BN] - Se você me perguntasse

27.11.16

por Michelle Rego Monteiro 

É que se você me perguntasse onde viveu em mim, te responderia que foi na ponta dos meus dedos manchados de grafite.
Eu tinha aquela velha mania de olhar nos seus olhos e ver o ápice da claridade deles, através da lucidez de alguns raios de sol.
O verde se misturava com o cobre dos seus dois cantos, você piscava e seu rosto iluminava por completo.
Era assim que a torneira de analogias se abria e  espalhava, serpenteando em incontáveis possibilidades, verticalizando os meus pensamentos mais singelos, minhas ideias mais reversas e minha afeição mais pura, até repousar no papel.
Eu tinha um varal de poesia estendida no seu quintal, elas balançavam na cadência que o vento orquestrava e não ameaçavam se soltar.
Agora, passado o tempo, não restou pouco mais que meia dúzia de frases, que nem separadas completam palavra cruzada.
Passo mais tempo assoprando o esfarelado da borracha, do que apontando meu lápis.

De nada servem as metáforas, quando a conotação sem alarde e presunçosa limpou minhas digitais.


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