[R] - O Artífice, de Tony Ferraz

1.12.16

Um vilão espertalhão + um “policial” casca grossa + um conselheiro com grandes filosofias= VOCÊ JÁ VIU ISSO ANTES!


A formula descrita acima é mais simples de seguir do que o passo a passo do miojo, e dá tão certo quanto, mata aquela fome rapidinho mas não te nutre. Tony Ferraz, autor brasileiro, seguiu a receita e acrescentou aquele temperinho: situar a história num cartão postal internacional, pronto, temos um livro nada genial mas que serve pra ler naquela viagem de 4 horas no fim de semana.

Na realidade, O artífice conta a história de um detetive que se depara com um caso complicado de solucionar. Há um serial killer solto, ele é o Artífice, apelido dado pela engenhosidade com que elimina suas vitimas, utilizando armas e armadilhas inusitadas, causando mortes realmente perturbadoras, paralelo a isso, o detetive se envolve com um monge que o apresenta ao Tao e se torna responsável por expandir e elevar a mente do detetive, tornando-o um homem mais espirituoso, e por consequência, mais “tranquilo” para lidar com a pressão de ter que decifrar quem é o artífice, ampliando sua visão para enxergar aquilo além do alcance. Típico e clássico.

Não é a primeira vez em que o um personagem principal tem um problema, precisa achar uma solução, mas parar isso precisa de algum mentor que vai ensina-lo a enfrentar o problema com algum tipo de meditação, filosofias, princípios, religião, conceitos, ou qualquer outra doutrina que explore algo além do tangível. Até mesmo o Batman tinha a liga das sombras pra ensina-lo não só técnicas de luta mas linhas de pensamento também.  Esse tipo de dinâmica é muitas vezes interessante pois tende os trazer lados mais profundos dos personagens tornando-os mais reais e mais próximos do leitor, mas nem sempre o mentor apresenta tanta profundidade como seu pupilo, esse é o caso em O artífice.

 O personagem do monge trouxe ao protagonista novos aspetos e que foram cruciais para o desfecho do livro, mas o monge em si era um personagem muito fraco, de frases prontas, diálogos rasos e repetitivos, resumia-se em “nem tudo o que parece é” e não dava pra tirar nada muito além. Ele parecia ser um protótipo de mestre Miyagi mas não ia muito longe.

O detetive também não era um personagem tão forte mas era razoável, no começo do livro se mostra meio cético aos conselhos do monge mas aos poucos vai se influenciando pelas novas visões que seu mentor traz, e claro, isso faz com que o personagem se torne mais sagaz e cresça durante a trama, acontece que esse crescimento é forçado, fazendo com que o detetive resolva seus problemas de forma muito boba, sem grandes lógicas (pra quem assistiu Breaking Bad e se lembra como o Walter foi descoberto pelo Hank, é mais ou menos disso que eu to falando), sabe quando o fim do livro não parece ter sido muito bem pensado mas precisa acabar e ai o cara coloca qualquer coisa só pra acabar? Então. Nem no Scooby-doo era assim.


Nessa tríplice, o único personagem que realmente me deixou curiosa e me chamou atenção foi o Artífice. Ele se mostrava um antagonista sistemático e inteligente que sabia manipular bem todos aqueles envolvidos na investigação, e personagens assim tendem a me fascinar, porém este não era tão fantástico assim como os que já acompanhei em outros romances policias. 

Sobre o enredo do livro, posso dizer que foi uma ideia muito batida mas desenvolvida de forma
“okay”, sem pontos altos e sem pontos muito baixos. De forma geral é uma história bem previsível, mediana, e que pra ser melhor desenvolvida exigiria muito do autor, posso dizer que a orelha do livro foi bem mais empolgante do que suas 240 páginas.

 O que me trouxe certo desgosto mesmo foi a ideia do autor se portar como gringo ao escrever, mas acredito que isso se encaixe melhor em algum outro post só pra isso.

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