[R] - O que aprendi com Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley- I: Já estamos sendo criados na incubadora

20.1.17

First: Mals pelo textão.
B: Questione-se se seu comentário ou filosofia de vida tem feito de você "um alguém"
      
Para minha alegria, tenho visto que distopias tem se tornado o novo conceito queridinho da galera. De repente o tema caiu no gosto das pessoas e isso pode ser o gancho para novos pensamentos, e mais, comportamentos que podem aparecer por ai. Acredito que um dos “responsáveis” de introduzir distopias, dessa forma mais popular, seria Black Mirror, principalmente nessa terceira temporada, os episódios mais claros e mais próximos da realidade explicita fizeram com que pessoas sem tanto interesse no tema se dedicassem a maratonas da série e, com certeza, voltassem seus pensamentos aos pontos abordados pelo show.  Também sei que livros como “Jogos vorazes” e “Divergente” tiveram sua contribuição para popularização do tema aos nossos jovens adultos da década de 90. Acontece que mundos distópicos sempre estiveram presentes, porém, de forma não tão abraçada pelos consumidores de conteúdo, talvez porque esse tipo de universo nos induza a meditação e o povo sempre tenha tendência a buscar o que é entretenimento apenas? Com certeza, mas de alguma maneira, tem-se observado como as pessoas tem mudado seu foco em interesses, debates, discussões, concordâncias e discordâncias, e isso é ótimo. Essa nova onda, a qual não sei avaliar se é só mais uma maré ou tsunami, tem despertado pessoas para o que realmente a vida pode oferecer a elas, tem chamado pessoas para fora dos muros, das caixas, tem tirado o cabresto de muitos e meu coração palpita em pensar que essa mudança pode fazer parte da futura herança genética correspondente ao estilo de vida das pessoas.

Essa nova abertura a distopias me faz pensar em quantas histórias antigas podem ser apresentadas as novas gerações e quanta coisa boa pode surgir da analise das mesmas, e nesse sentido, venho por meio deste blog apresentar esse livro INCRÍVEL, porém dividido em três pensamentos diferentes.


Primeiramente, quero apresentar esta obra que tomou meu coração (e da cantora Pitty, com certeza) que é Admirável mundo novo (Aldous Huxley).  O livro nos insere em um ambiente futurista que parece distante e absurdo, onde as relações interpessoais são mínimas e os indivíduos se resumem a sua utilidade, sendo que as mais úteis são as mais valorizadas e as menos uteis, menos valorizadas, e entenda, quando falo a respeito de valor e utilidade estou me referindo a indústria mesmo, a giro de capital, a serviço prestado na sociedade, esqueça valores sentimentais, pois nesse contexto, esse tipo de valor é nulo. Aqui as pessoas são divididas em castas, os indivíduos são projetados para pertencerem a núcleos específicos e não há possibilidade de evolução ou regressão, um caco de vidro nunca será diamante ou vice e versa, porque cada um foi feito para ser aquilo que são. Este é o primeiro paralelo que gostaria de pontuar: SOMOS CRIADOS PARA SERMOS O QUE SOMOS.

Quem nunca ouviu ou disse a frase: “Estude para ser alguém na vida”. Mas espere, você já não é alguém? Somente o estudo ou sucesso profissional valida sua existência, seu direito de ser “alguém”? 

Essa frase já saiu da boca de todos, tanto daqueles que são bem sucedidos como aqueles que se arrependem de não ter dado o devido valor as oportunidades da vida. Isso me remete um estranho conformismo, como um pai de família, que trabalha de sol a sol, sacrificando sua saúde e seu bem estar, e sabe-se lá o que mais, pode conceber a ideia de aceitar-se como um ninguém? Como mulheres, muitas vezes com dupla jornada (emprego fora + sua própria casa), que enfrentam os mais absurdos desaforos diariamente podem simplesmente dizer que seus filhos hoje estudam para que tenham um futuro diferente do delas e sejam alguém na vida? 

Essa expressão sempre me pareceu desleal, e ao ler Admirável Mundo Novo, pude compreender perfeitamente meu posicionamento. Quando alguma classe de pessoas não se enxerga como “alguém”, seus objetivos são furados, percebo isso quando vejo a forma como jovens que ainda não decidiram por uma profissão são tratados, geralmente estes são vistos como “vagabundos”, enquanto outros que estão em um curso, geralmente “foi o que deu pra pagar” ou “foi o que deu pra passar”, que não se dedicam verdadeiramente ao aprendizado pra profissão, que gastam tempo e dinheiro pagando DP’s infinitas, são vistos como esforçados.  Estamos construindo um mundo que valoriza nossa mão de obra, nossa utilidade, e não a nós pelo que somos. Estamos construindo um mundo que não enxerga pessoas, mas enxerga e produz castas de pseudo-profissionais. Estamos não só vivendo a era das máquinas propriamente ditas, mas também nos tornando, e mais, desconsiderando aqueles que não são. É de se pensar.
A discussão sobre ser útil na sociedade vai longe, mas o que é simples de assimilar é que eu não preciso estudar pra ser alguém, eu já sou alguém, o que eu realmente preciso é ser alguém melhor, seja como for. 

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