[R] - O que esperar da adaptação de Os 13 porquês – Jay Asher + RESENHA

3.2.17



1º Se você passou por coisas muito ruins e pensa/pensou em se matar, busque ajuda, de preferencia, algum ADULTO maduro e confiável, existem profissionais que podem ajudar você, vai na minha.



“Talvez terapia tivesse ajudado. Hannah” ... e teria mesmo.



 Netflix vai lançar uma série sobre Os 13 porquês de Jay Asher dia 31 de março de 2017. A série será produzida por Selena Gomez e talvez por isso tenha cara de ser teen (o que me assustou bastante visto que não tinha lido o livro quando soube da série). Pelo olhar de Clay, rapaz que tinha interesse por Hannah mas não pode desenvolver esse romance devido a morte da protagonista. Eu recebi boas indicações desse livro, todos diziam que a leitura era profunda, difícil de engolir, causava verdadeiro incomodo e tristeza ao pensar na historia, e ao ver o trailer tive uma impressão completamente contrária a impressão que tinha do livro até então. A série mostra uma cara bem 16 anos com conflitos adolescentes, transmitindo a mim pouca seriedade ou um ar não tão mórbido que o tema merecia, mas sinto informar, isso é EXATAMENTE o que o livro traz, ou seja, teremos uma série possivelmente bem feita (considerando o nível de produções Netflix que raramente decepciona) e fiel a obra que será resenhada a seguir.

De forma quase epistolar (já que Hannah se comunica por gravações e não por cartas, necessariamente), Jay Asher escreve um livro até que muito interessante que aborda dois pontos de vista: de quem prefere a morte e acaba com sua própria vida e aqueles que ficam. O livro aborda várias situações comuns da adolescência, tais como bullying, descobertas sexuais, tentativas de se enturmar etc, porém, o tema central é suicídio. Hannah Baker se matou e foi muito caprichosa ao planejar seus passos póstumos. Acontece que a mocinha, que teria por volta de uns 15 anos, soube desabafar em 14 fitas cassete (sendo a ultima delas gravada apenas no lado A, ou seja, temos 13 gravações) o que não conseguiu desabafar com ninguém em vida, criando assim uma espécie de corrente, na qual os “motivos” ou as pessoas envolvidas em sua morte devem ouvir as fitas e passar para o próximo que é citado na história da protagonista, caso um deles não passe a fita adiante, alguém que tem a cópia das fitas deveria trazer toda a história a público, o que traria sérios problemas aos envolvidos. 

A partir dai eu já fico: “Ok, como Hannah entregou essas cópias pro fulano e convenceu ele a stalkear e se comprometer a divulgar o conteúdo das fitas sem dizer que ia se matar? E se disse, como ninguém levou essa criança num psicólogo ou PELO MENOS falou com OS PAIS dela?”



Eu julgaria os motivos de Hannah bobos para recorrer ao suicídio? Sim, não vou negar, sei de pessoas que realmente sofreram rejeição e outros perrengues dentro da própria casa e optaram por interromper a vida, e Hannah não precisava de algo tão extremo, não mesmo! Eu entendo que cada um sinta dor de maneiras diferentes, mas não acho que o desespero de alguém que pensa em acabar com a própria vida foi retratado. Ela não procurou ajuda, e quando digo isso, digo que ela não se abriu com ninguém em momento algum e afastou aqueles que tentaram ajudar. É impossível dizer que Hannah não tinha refugio porque ela teve, se afastar daqueles que fizeram mal já seria um bom começo, afinal, gente babaca tem em todo lugar, mas ninguém é obrigado a estar por perto. Se você está cercado de pessoas de 15-16 anos, imaturas, insensíveis e egoístas, porque não se abrir com quem realmente pode ajudar e porque afastar aqueles que se preocuparam?

“Parece que essa pessoa que escreveu o bilhete só quer atenção. Se fosse sério ela teria dito quem é”. Esse trecho do livro descreve perfeitamente a sensação que Hannah transmite. Não fiquei triste ou angustiada com o livro, fiquei irritada, quase indignada com a atitude de Hannah. Ainda não é possível ler mentes e ela TINHA pessoas para acolhe-la, mas simplesmente não quis.
 
 Pra falar a verdade, esse livro me decepcionou bastante. Não há profundidade alguma nele. Há pontos para se pensar, claro, mas está longe de ser um exemplo de livro que retrata sofrimento de pessoas com problemas tão complexos.  
Existem outros títulos que abordam angustias capazes de fazer alguém desistir de viver, o exemplo mais claro que posso dar e indicar agora é “Os sofrimentos do jovem Werther” de Goethe (e eu também acho Werther “sem motivos” pra fazer o que fez, mas ai é meu coração de gelo falando mais alto e não necessariamente uma personagem fraca como Hannah).
No fim das contas, fiquei mais com dó do Clay do que tudo, afinal ele gostava da garota, passou um bom tempo planejando falar com ela, consegue, tenta ajuda-la, ELA O REJEITA e no fim a menina se mata...
O que eu tiro desse livro é: busque ajuda, fale com a polícia quando for necessário, envolver adultos em assuntos sérios não é algo extremo... se matar sim.

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