[STL] - A Bridge of Spies

8.2.17

Enquanto eu procurava por filmes que saíram nos últimos anos que não são adaptação de livros – uma tarefa difícil, já que Hollywood tem andado com pouca imaginação – eu cruzei meu caminho com Bridge of Spies, ou Ponte de Espiões, um filme escrito por Matt Charman, Ethan e Joel Coen e estrelado por Tom Hanks. A história é baseada em numa real que aconteceu durante a Guerra Fria.
Nela, conhecemos James B. Donavan, um advogado contratado pelo governo para representar Rudolf Abel, um suposto espião – apesar de que em nenhum momento isso é confirmado – diante de seu julgamento nos Estados Unidos. Durante o processo, ele insiste que Rudolf não seja executado por seus crimes, mas que ele seja prisioneiro para o caso de que, se algum espião americano for preso na União Soviética, eles possam fazer uma troca.


Apesar de ser baseado em algo que aconteceu de verdade, este filme contém muitos elementos de um bom livro – um escrito por Dan Brown, se posso arriscar dizer. Eu separei cinco pontos que comprovam essa teoria. Vamos lá. ~ALERTA DE SPOILER~
1. O personagem principal sai de sua zona de conforto. James é um advogado, mas não trabalha com justiça criminal – pelo menos, não pelos últimos anos de sua vida quando o conhecemos. Na verdade, ele é um advogado de seguros, ou seja, ele defende uma companhia de seguros na hora que algum cliente entra com um processo contra seus chefes. Portanto, quando o governo o convoca para representar Rudolf, ele é jogado completamente fora de seu elemento e é desafiado a fazer o seu melhor. Bônus: Altruísmo. Apesar de ser odiado pelo país inteiro e, até mesmo, ter sua casa metralhada em uma noite, James faz o que é justo para seu cliente, tentando ajudá-lo da melhor maneira possível.
2. O que o personagem prevê, acontece. Quase como para provar que ele estava certo o mesmo todo, o piloto Francis Gary Powers é capturado pela União Soviética durante uma missão – na qual ele tirava fotos de um avião. Os Comunistas decidem que querem Rudolf e que eles desejam fazer a troca, mas que essa só aconteceria na Alemanha – mais especificamente, na Ponte Glienicke, por isso o título. Bônus: Para confirmar ainda mais o item 1, quem é enviado para as negociações é James, tirando ainda mais de sua zona de conforto.


3. As coisas pioram. Durante a construção do Muro de Berlim, o jovem Frederic Pryor, que estava estudando a economia soviética na Alemanha Oriental, é levado pelo governo Alemão e preso. Os alemães também querem Rudolf e oferecem uma troca do estudante pelo suposto espião. Agora, o governo Americano tem duas pessoas para salvar, mas apenas um prisioneiro.
4. O personagem principal faz algo ousado. Voltamos aqui a ver mais o altruísmo de James, que não quer abandonar Pryor nas prisões alemães, e por isso, praticamente ameaça o negociante alemão. Os americanos apenas entregarão Rudolf, se conseguirem os dois de volta – essa cartada, porém, é puramente do advogado, que recebe várias críticas do governo.
5. Final feliz. No fim, tudo acontece como James queria, sendo ele capaz de salvar a vida tanto de Powers quanto de Pryor. Nesse ponto, nem sempre os livros de Dan Brown funcionam, mas todos os outros, parece mesmo que eu li um de seus romances.

Após terminar o filme e fazer essa análise, fiquei com apenas uma pergunta: a arte imita a vida ou a vida imita a arte? De qualquer forma, é um filme que vale muito a pena de se assistir até o fim.

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