[E] – Você está cometendo esse erro amador como escritor?

13.3.17

By Jerry Jenkins | Tradrução de Leandro Zapata
Você está procurando pela fórmula secreta que irá te transformar em um autor best-seller? Depois de 21 best-seller do New York Times, eu posso dizer: não existe atalhos. Mas escritores ainda me perguntam com frequência, numa forma como o Yoda faz, “você me ajudaria se você puder me dizer uma coisa...”
Então, aqui está: não escreva on-the-nose
Não existe um feijão mágico, mas se você puder superar a escrita amadora, você irá eliminar 99% da competição.
Ainda que possa soar como algo positivo, on-the-nose é um termo usado por roteirista Hollywood para “prosa que espelha a vida real sem avançar a história”. Esse é o erro mais comum que eu vejo em escritas que, de outra forma, seriam boas.
Ninguém escolhe escrever dessa maneira, mas até mesmo os profissionais caem nela sem saber. Não tem nada a ver com a habilidade de alguém de escrever uma frase, um parágrafo, ou até mesmo uma cena. O escritor amador pode até ter uma grande ideia, sabe como construir tensão, e ter um bom ouvido para diálogo.


Escrita on-the-nose­ é assim:
O celular de Paige tocou, dizendo que ela tinha uma ligação. Ela deslizou a bolsa de seu ombro, abriu-a, pegou o celular e apertou o botão para aceitar a ligação. Então, posicionou o aparelho em seu ouvido.
“Aqui é a Paige,” ela disse.
“Hey, Paige.”
Ela reconheceu a voz de seu noivo. “Jim, querido! Olá!”
“Onde você está, meu bem?”
“Acabei de estacionar.”
“Sem mais problemas com o carro?”
“Ah, o cara do posto de gasolina falou que pode ser um problema de alinhamento.”
“Bom. Tudo certo pra hoje a noite?”
“Esperando ansiosamente, amor.”
“Você soube da Alyson?”
“Não. O que aconteceu?”
“Câncer.”
“O que?”

Agora, era assim que a cena deveria acontecer:
O celular de Paige tocou. Era seu noivo, Jim, e ele falou algo sobre uma de suas melhores amigas que a fez esquecer onde ela estava.
“Câncer?” Ela sussurrou, mal sendo capaz de falar. “Eu nem sabia que Alyson estava doente. Você sabia?”

Confie em mim, nenhum leitor irá se perguntar como ela sabia que a ligação era de Jim. Nós não precisamos saber que o toque era uma ligação (dããr), ou que o telefone estava na bolsa, ou que a bolsa estava em seu ombro, ou que ela abriu para pegar o celular, ou que apertou um botão para atender ou que colocou o telefone na orelha para ouvir e falar ou que ela tinha que se identificar para a pessoa, ou que tinha de ser informada sobre a outra pessoa... Vocês entenderam.
Se você caiu na ­escrita on-the-nose (acontece com todos nós), não se bata por isso. Isso mostra que você tem a habilidade de espelhar a vida real.
Isso é bom. Agora pare.
Deixe isso para as pessoas que gostam de escrita amadora.
Separe si mesmo da competição ao mostrar apenas as coisas importantes. Vá fundo. Vá além da superfície. Mine seus sentimentos, sua mente, seu coração e alma, e se lembre como é sentir quando notícias como aquela sobre pessoas com quem você se importa profundamente.
Não se distraia com os diminutos. Dê aos leitores a aventura para a qual eles assinaram quando escolheram ler sua história. Leve os leitores com Paige quando ela disse:
“Eu preciso ligar para ela, Jim. Preciso cancelar minha reunião. E eu não sei nada sobre hoje a noite...”
Essa sim é uma história que eu continuaria lendo. E você? Como você evita erros amadores como esse?
Fonte:http://www.jerryjenkins.com/my-best-writing-tip-for-the-new-year/ 

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