[E] – Como aprendi a manter minha escrita longe da lata de lixo do editor

22.5.17

por Jerry Jekins | tradução Leandro Zapata
Eu estava apenas tentando expandir meus horizontes.
No jornal diário que eu trabalhava quando tinha 19 anos, minha parte era os esportes de colégios, onde eu tanto cobria os jogos e tirava as fotos.
Toda a equipe editorial estava abarrotada em uma grande sala com quarenta mesas de metal apertadas uma contra as outras, sem divisão, com telefones tocando, máquinas de teleimpressor estalando e – é claro – em 1960, 90% das pessoas fumando.
Eu fugi da pequena esquina que era o departamento de esportes e sugeri uma matéria para o editor sobre uma esposa que gostava de ir caçar com o marido e três outros homens (algo incomum para uma mulher naqueles tempos). O editor, com um cigarro na boca, disse, “Claro, coloque na minha mesa quando estiver pronto”.
Fui com eles a uma caçada, tirei fotos, entrevistei a mulher, fiz o artigo e coloquei na mesa do editor.
Enquanto eu estava fazendo minhas coisas de esporte mais ou menos três metros longe, eu ficava espiando para ver se o editor pegava as fotos. “Wow”, ele disse, mostrando as fotos para outro editor, “Ótimas fotos, não?”


Então eu o vi pegando meu artigo, lendo carrancudo e balançando a cabeça.
Ele escreveu algo na primeira página do artigo e o colocou na cesta de saída. Eu estava morrendo de vontade de ver, mas isso era proibido. Cerca de meia hora depois, um menino deixou o artigo em minha mesa. Estava escrito, “Ótimas fotos. História ruim.”
Eu juntei toda minha coragem e timidamente me aproximei. Ele estava ocupado editando algo, até que olhou para mim como se eu fosse um rascunho.
“Pode me dizer o que há de errado para que eu possa consertar?”
“Claro, Jenkins,” ele disse, recostando na cadeira. Acho que detectei um sorriso. “Está uma merda.” E voltou-se para o trabalho.
Cambaleei de volta a minha mesa. Minha chefe, a editora de esportes, podia ver que eu estava abalado, então eu contei tudo e disse, “Eu estava aberto para qualquer coisa.”
Ela disse, “Você pensou em algo que possa ter feito para melhorar?”
“Bem, sim. Talvez se eu tivesse perguntado mais sobre como a mulher tinha se sentido pela primeira vez, e como ela superou as críticas. E creio que poderia ter passado mais tempo conversando com o marido e os outros homens sobre como eles se sentiam sobre inclui-la antes, e como as coisas estão agora.”
“Aí está. Qualquer coisa que acha que deveria ter feito é o que você deveria ter feito.”
Então, eu peguei o telefone e terminei o trabalho, reescrevi o artigo e deixei na mesa do editor outra vez. O editor editou e colocou na cesta de saída. Mas como não voltou para mim, isso significava que tinha ido para composição.

Me aventurei outra vez.
“Assumo que gostou dessa vez?”
O rosto do editor tinha o mesmo olhar. “Eu não gosto das coisas, Jenkins. Ou eu publico ou não. Página um, seção dois, amanhã. Quarenta dólares”.
A memória ainda me faz engasgar.
A lição aqui é óbvia. Eu nunca enviei nada para um editor até que eu estivesse completamente feliz com o trabalho.


Quais lições você aprendeu que ficou com você a vida toda? Eu adoraria ouvi-las nos comentários abaixo.

Fonte: http://www.jerryjenkins.com/how-i-learned-to-keep-my-writing-from-the-editors-outbox/

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