[E] – Por que os leitores pulam partes cruciais de sua história

28.8.17

por Jerry Jenkins | tradução de Leandro Zapata
Eu quero fazer valer o seu tempo por ter passado aqui hoje. Então, eu vou contar-lhe um segredo. É algo que aprendi com muitos anos sendo escritor. Você quer saber o que é; você precisa saber. Mas seus leitores não irão te falar.
Francamente, eu não sei por que eles me falam. Talvez eu tenha cara de psicólogo. Bem, aproxime-se, pois eles não querem que isso seja dito alto.
Os leitores mal passam sobre sua descrição.
Sim, até mesmo as passagens bem-escritas.
Ainda, escritores novatos, e até mesmo os profissionais mais antigos, trabalham em cima de cada página e se perguntam como os livros deles não vendem.
Aqui vai um exemplo – e adianto, não há nada fundamentalmente errado com a leitura em si. A passagem é convidativa e tem até certa música. Você não estará errado de gostar e se perguntar o que tem de errado nela.
A cabana assentava-se numa ribanceira com visão para o oceano, onde ondas chocavam-se com a praia e o vento balançava a lima das árvores...
Aqui está o problema.
A não ser que você seja um escritor-mestre, como o romancista Charles Frazier (Cold Mountain) ou o mestre da não-ficção como Rick Bragg (All Over but the Shoutin’), você deve saber que a descrição tem dois propósitos.
Eu escrevi quase 190 livros, dois-terços deles eram ficção, e por mais que eu trabalhe neles, eu não ouso deixar que um parágrafo puramente descritivo como aquele ficar sozinho. Isso é pedir por críticas, é como se o autor dissesse: “Aqui estou, fazendo a cena, descrevendo a localização da ação. Como estou indo?”
Enquanto isso, leitores estão pescando. É um pecado entediar os leitores, e ainda, quantas maneiras existem de se descrever uma localização?
Então, qual a solução?
Obviamente, seu trabalho é montar a cena. Você precisa invocar o lugar, e ainda, você quer ter certeza de que seus leitores não estão pincelando sua descrição – ou pior, pulando-a completamente. O que você deve fazer?
Faça sua descrição parte da ação.
Vamos assumir que seus personagens chegaram a cabana, talvez dirigindo por estradas estreitas e perigosas, você pode então descrever o local enquanto conta a história. Assim:
Randall queria apenas que David conhecesse seu esquema, então ele puxou-o para longe dos outros até o píer onde ele teve que levantar a voz por causa do barulho das ondas. Ele encolheu os ombros contra o vento forte e desejou ter trazido uma jaqueta, sabendo que eles não poderiam ficar ali fora por muito tempo...
Seu leitor quer ação, mas isso não significa violência e caos a cada esquina. Significa apenas que a história deve sempre se mover.
A parte mais interessante da história acima é o esquema de Randall, então, chegue nele e continue com ele. Crie imagens onde seus personagens estão ao mesmo tempo em que o enredo puxe o leitor junto, ao invés de tentar pintar o cenário.
Isso inicia o teatro na mente de seu leitor, invocando quantos detalhes sensoriais você precisar para fazê-los sentir como se estivessem com Randall e David. Eles podem até mesmo ouvir o barulho do oceano.
E enquanto Randal está explicando seus planos nefários, seu leitor fiel não está pulando nada.
Conte-me nos comentários como você faz a descrição e mantém seus leitores engajados.

Fonte: https://www.jerryjenkins.com/readers-skipping-crucial-parts-story/

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