[QDR] - Criança 44

23.8.17

por Adriano Barros
União soviética, 1953, em pleno regime de Stalin, a época mais cruel de seu regime. O governo faz com que as pessoas acreditem que não existem mais crimes, a paraíso na terra. Mas eis que uma criança aparece morta e com requintes de crueldade. Colocando tudo isso em jogo Esse é cenário de “Criança 44”, escrito por Tom Rob Smith e que em 2015 virou filme.

O Livro:
Esse é o primeiro livro de Tom, e logo após esse, ele escreveu mais dois livros, “The secret Speech” e “Agent 6” alguns consideram esses como uma trilogia, mas trabalham historias separadas e isoladas, apenas tem o mesmo protagonista.
Tom nos trás uma historia muito bem ambientada. Com riqueza de detalhes, nos conta a historia do investigador Liev Demidov, que se vê envolvida na investigação da morte de uma criança de forma suspeita, ainda mais que essa criança e filha de seu grande amigo de trabalho. De inicio, e por imposição da policia, a morte deve ser encarada como um acidente, mas quanto mais Liev se aprofunda no caso, percebe que essa morte pode estar ligada a morte de mais 43 crianças em outros lugares.
Com um ritmo muito bom, o livro já começa de dando um soco nostomago, mostrando com frieza e riqueza de detalhes a situação do pais, onde a fome assombrava a população mãos pobre, confesso que só de ler essa introdução, o livro já me ganhou. O personagem Liev é um tipo bem duro, policial que vê seu trabalho como mais importante que tudo,a fidelidade ao seu pais e como ele vê a sua importância nesse regime. Para constratar com ele Temos sua esposa, Raissa, uma professora que tem um papel importante na historia em si, mas estabelece um arco diferente, trazendo um outro tom ao livro. Por se passar num época bastante complicada da historia da Rússia, temos elementos de espionagem muito presentes, descrições tensas sobre como aquele regime agia na população e em todas as áreas do pais.
Importante dizer que, mesmo se tratando de uma livro que fala de assassinato , o livro não te deixa muito curioso sobre quem seria o assassino, alias, o nome dele é  apresentado antes mesmo do acabar, de uma forma muito peculiar alias, mas isso não deixa a história menos rica, depois que se revela a identidade do assassino, da mais vontade ainda de saber o final da historia. Vale ressaltar ainda, que tudo isso foi baseado em fatos, esse assassino realmente existiu.
Um livro fantástico, como historia realmente incrível. Recomendo..

Já não posso dizer o mesmo do filme...

A adaptação  feita deste material em 2015, é dirigida por Daniel Espinosa, ele dirigiu o bem mais ou menos  “Protegendo o inimigo” de 2012 e o não criativo mas bom, “Life” de 2017.
Hoje teremos a visão que material fonte bom não é sinônimo de bom filme.
O filme começa mostrando um grupo de soldados encontrando uma criança órfã, que aos olhos dos soldados lhe parece muito forte. O tempo passa e vemos o Jovem Leo Demidov (sim, o nome dele muda no filme), como uma soldado corajoso e sagaz, disposto a  tudo por seu trabalho. Leo e interpretado Tom Hardy (Mad Max) , papel de soldado lhe cai bem, não exige muito das fracas interpretações que permeiam grande parte dos filmes dele. Ainda temos no elenco Naomi Rapace (Prometheus) como Raissa, que esta bem, alias, a melhor coisa do filme em se tratando de atuação, Gary oldman e Vicent Cassel, bem subaproveitados. A historia é bem arrastada, o filme extremamente longo e desnecessariamente longo. Existe um problema grave de ritmo de controle de cena. Momentos onde por exemplo, esta tendo uma briga e você não sabe ao certo quem esta batendo ou apanhando. A inexperiência do diretor fica muito latente nesses momentos. A ambientação esta bem feita, o filem tem um tom meio fúnebre, meio cinza, talvez para demonstrar o ar pesado soviético da época. Outra coisa que imcomoda muito , mas muito mesmo e o fato dos personagens, mesmo o filme a historia não se passando nos Estado Unidos, falarem inglês, e o que é pior inglês com sotaque Russo (?) não entendi, e acho que nunca entenderei, ainda mais Tom Hardy que já fala meio pra dentro fica pior ainda. Outro grande problema, mas já entrando na questão adaptação, e a falta de fidelidade com o materal fonte. Eu tendendo perfeitamente, que adaptar uma história dessas seria bem complicado, mas já temos filmes como “Ponte dos Espiões” e “Milleniumm”, que conseguem dar vida e emoção a coisas bem parecidas. mudar a historia e o foco de um material  tão rico chega ser um crime. O filme perde muito tempo tratando do relacionamento de Raissa e Leo, e se esquece do assassino , arco que deveria levar o filme, e nãos ser plano de fundo de um relacionamento conturbado.
Mas o que deu errado?

A direção. Espinosa não soube aproveitar o material que tinha. Nas mãos de outro diretor, com mais experiência, seria um filme fantástico. Mas aqui temos um filme esquecível, visualmente bonito, mas muito chato, esta muito longe de ser tão bom quando o livro. Não recomendo.

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