[R] - Risco calculado, de Elaine Elesbão

11.8.17

por Maida
Comecei essa leitura como sempre faço, com expectativas bem baixas, ou nulas. Porque resolvi começar meu texto assim? Bem, porque essa é a verdade. E porque vou falar o maior clichê em resenhas agora: o livro me surpreendeu.
Primeiro acreditei que fosse uma remasterização de Lolita, que veja bem, nunca li por que a temática dele por si só me deixa de estômago embrulhado, no entanto quando a autora faz você pensar que é por esse lado que ela vai, ela vira o jogo. Mas antes, vamos do começo...


Essa é a história de Valentina, que morava no interior do sul do Brasil, com sua família que passava por dificuldades financeiras. Aos dez anos, ela foi apresentada a seu bem feitor Hugo, que passou a ser chamado por padrinho, pois a tirou da miséria quando ela atingiu doze anos de idade. Mesmo sentindo falta de sua família, Valentina foi levada a ser sempre grata, e nunca reclamar pois tinha tirado a sorte grande, foi escolhida por um homem vinte anos mais velho para viver em uma cidade grande, ter educação e se aperfeiçoar como uma bela mulher que ela era.
No entanto com o passar da história, Valentina esclarece que Hugo nunca foi seu bem feitor gratuitamente e é esse plot twist que me fez querer escrever sobre essa história.
A partir desse ponto o clichê diria que a mocinha foi levada a fugir e salva pelo mocinho que a fez voltar a acreditar no amor e na vida, mas essa história não. A história de Valentina não é sobre ser salva, mas sim sobre ser sua própria salvação. É sobre cansar de ser a vitima, e tomar a liderança e fazer algo para se livrar desse status.
Então, você caro leitor, que acompanha minhas resenhas, talvez pense: Maida, não seja tão critica, afinal você ultimamente só escreve sobre romances, e a maioria é erótico, não da pra esperar muita coisa disso.
Mas dá sim. Eu estou tentando conter os spoilers, mas preciso dizer que nem sempre é necessário que alguém tire a mocinha da enrascada, as vezes ela está tão cansada de tomar no rabo se dar mal que ela mesma faz a reviravolta.
Valentina fugiu, se escondeu e deu um jeito de se livrar de Hugo. E quando você pensa que está tudo indo bem, o passado volta para atormentá-la. Mas com a ajuda de seu segurança particular e de sua cozinheira de confiança, a qual se refere como mãezinha, Valentina irá parar de fugir e encarar sua realidade. Ela percebe que se esconder não é a solução e que só conseguirá ter uma vida plena, quando deixar de ser a vitima, e se resignar ou mudar tudo para sempre.
Já aviso de antemão que essa não é uma história erótica como as que estamos acostumadas. Hugo usa o sexo como forma de demonstrar seu poder e superioridade sob Valentina e por mais que eu achasse que tinha futuro a relação deles no começo da narrativa, e até torcesse por eles, não da pra engolir os encontros amorosos deles, que de tão pesado chegam a ser perturbadores. Eu gostei sim dessa leitura do começo ao fim, imaginei que fosse ficar um pouco enjoativa ou cansativa assim que a autora apresentasse toda a situação, mas não foi assim.
Os acontecimentos são todos muito bem amarrados, e desde o começo, onde a mocinha está fugindo, passando a procurar uma nova moradia, emprego e se reintegrar na sociedade como outra mulher, até o ápice da história, a escritora deixa o leitor intrigado, querendo saber qual rumo aquilo vai tomar, e qual será o desfecho.

Não está listada entre as minhas leituras leves favoritas que uso para transacionar de uma história para outra, (muito pelo contrário essa se agarrou em mim de uma forma que poucas histórias conseguiram, inclusive outra com mais ou menos a mesma temática que ainda pretendo resenhar aqui para vocês), mas é para aquelas pessoas que procuram algo razoavelmente profundo, que se você tiver muita inspiração consegue umas problematizações até que bem interessantes, e um passatempo, que creio ser o objetivo de todo livro, garantido.

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