[R] - O Templo da Magia, de Luiz Junior

10.11.17

Escrito pelo meu colega Luiz Junior, O Templo da Magia é parte da saga Reinos em Guerra. Diferente do que costumo fazer, a história se passa exclusivamente na América do Sul (em minha defesa, minhas histórias costumam passar em vários lugares do mundo diferentes). Conhecemos, então, Gregório, um historiador fracassado que é funcionário da Prefeitura de São Paulo.
Durante as férias, Gregório viaja para Argentina, onde conhece um guia turístico. Este acaba contanto sobre algumas lendas que existem no norte do país que envolvem o extinto e misterioso Império Inca. Todavia, tais lendas datam de muito antes, vindas de lugares como Atlântida e Egito. Curioso como é, ele parte para as Salinas Grandes, no norte argentino.
Quem já leu Afterlife, sabe que sou completamente a favor de unir mitologias, e essa parte do livro é a parte mais incrível dessa história. Lauror, apesar de um personagem que é citado apenas algumas vezes e cujo passado é contado duas ou três vezes através dos sonhos, já mostra ser alguém que não tem medo de tomar decisões nos momentos mais sinistros, mesmo que elas sejam um tanto egoístas.
Gregório, porém, não é o melhor dos protagonistas. Durante o uma boa parte do livro, ele é um protagonista passivo. Os principais acontecimentos da história, que são o motor que avança o enredo, se passam em volta dele; a maioria das informações chega a ele sem que ele procure – salvo uma vez ou outra. Ao mesmo tempo, porém, essa é uma característica dele; ele nunca está indo atrás do sobrenatural. O sobrenatural chega até ele naturalmente.
Outro elemento forte na série são as duas organizações secretas: Sociedade dos Mistérios Antigos e uma sociedade de ladrões de arte (não me lembro de ter lido o nome). Opostas uma a outra, elas estão o tempo todo em conflito; uma tentando superar a outra. Para ganhar a confiança de Gregório, Zeus – líder da Sociedade dos Mistérios Antigos – envia sonhos para ele, dizendo que ele deve procurar a organização. Ao mesmo tempo, a sociedade de ladrões de arte finge ser a outra, de modo a confundir Gregório para que ele não confie em Zeus – o brilhantismo de Luiz aparece aqui, pois o leitor também fica tão confuso quanto o personagem; é uma verdadeira imersão dentro da história.
O Templo da Magia é uma história cheia de aventura e mistérios, que leva o leitor a querer saber mais e mais; querer saber o que acontece a seguir. Cada pista da história leva-nos a um novo lugar, onde precisamos descobrir se o a magia descrita é realmente verdadeira. Queremos saber se o Senhor das Moscas realmente existiu ou foi apenas uma história criada para assustar crianças. Um livro nacional muito bom que sua prateleira tem que ter.

Todavia, meu professor de português interno tem duas ressalvas sobre o livro. Luiz usa constantemente o artigo definido (o/a) antes de nomes próprios; e usa “mesmo” como pronome pessoal em retomadas (lembra-se do erro do elevador?), e isso não pode ser usado, pois mesmo é um pronome reflexivo, ou seja, é usando quando o sujeito da ação a executa sobre ele mesmo. Ambos são muitos comuns na fala dos brasileiros e, portanto, se você não tem um professor dentro da sua cabeça, isso não irá te incomodar.

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